[Sevy Falcão] CONCEITOS DE UM MATUTO
No verdor dos meus oito anos, ouvi do Deputado Silveira Dantas, matuto, político e produtor rural, exportador de algodão e sisal lá das bandas de Teixeira, que “honestidade, bondade e riqueza é a metade da metade da metade”. Depois de mais maduro e passado no corrimboque da vida, pude entender que o conceito filosófico de Silveira Dantas estava absolutamente correto. O velho deputado quis dizer que quem se autoproclama possuidor dessas qualidades nem sempre as têm na sua plenitude.
Todos nós já tivemos oportunidade de travar uma luta íntima testando a nossa honestidade. Alguns conseguiram êxito, outros, entretanto, fracassaram. Ser ou não ser honesto é mais que uma questão moral e ética, muitas vezes até uma questão de sobrevivência. A ótica do contraditório não corrobora este ponto de vista. Entretanto, somente saberemos se essas pessoas põem em prática aquilo do qual se arvoram quando a sua honestidade passar por uma prova de fogo.
Quando o assunto é honestidade, entendemos como um elemento que deve ater-se às regras morais. Entretanto, precisamos de uma maior dimensão para abranger espaços que não foram preenchidos nesses conceitos de comportamento. Em muitas situações nós somos levados a acusar alguém de desonesto que pode apresentar soluções mais compatíveis que aquelas acordadas em convenções sociais, que por estarem formalizadas são tidas como corretas. Aquilo que pra nós muitas vezes é desonesto, para outros nem tanto, depende da situação.
Os movimentos filantrópicos, por exemplo, são pontilhados de pessoas generosas e altruístas que adoram aparecer na mídia sem o mínimo de nobreza e modéstia. É mais uma forma de mostrar ostentação para justificar uma distribuição de restos e migalhas daquilo que já não serve porque está vencido ou rasgado. A filantropia que se pratica, via de regra, é resultante de uma missão egoísta, de uma publicidade em torno de nomes e do rebaixamento daqueles que recebem, que precisam.
Eu só acredito nessa forma de bondade quando alguém, silenciosamente e sem alardes, divide as suas necessidades com aqueles que vivem alem da linha das carências humanas. A filantropia social é uma forma de restituição, em parte, daquilo que foi tirado do necessitado violentamente pelo filantropo ou misantropo. Estou mais fadado a acreditar em duendes ou entidades do limbo que nas dádivas natalinas, que nos movimentos para empinar o ego e na bondade daqueles que só querem aparecer como bonzinhos.
Nem todas as pessoas são dotadas na vida dos bens materiais, das riquezas temporais. Entretanto, sempre há no círculo da nossa convivência um conhecido que adora contar vantagens. Sempre existe em nosso meio o faroleiro que Chico Buarque tão sabiamente citou na Banda. A pessoa que conta vantagem sempre tem mais dinheiro na conta que o seu interlocutor, o seu carro sempre é o melhor e até faz dezoito quilômetros com um litro de combustível, sempre tem uma história mais bonita ou um fato mais grave para contar, mas tem que levar vantagem.
Em resumo, como diria Paulo Maluf: “Aquele que diz que tem, não tem”. Para concluir, jamais votaria no candidato que se arvora ter “Ficha Limpa”, porque “honestidade, bondade e riqueza é a metade da metade da metade”.


























































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